Posted by: standing_baba | September 21, 2010

MB&S in Mural Magazine

Rogério and wife Monica

FOREWORD: Couchsurfing host and now friend, Rogério Hamms, was so impressed with my bike tour stories during my brief stay in his home that he wrote a piece about me for Mural, a culture magazine with distribution throughout the Brazilian state of Santa Catarina, where I now reside. If you’re internet browser doesn’t come Google Translator ready (highly recommended for expanding into non-English material), then cutting-and-pasting into Google Translator divides the pie too.

SURFANDO DE BIKE PELA AMÉRICA DO SUL

Na Mural edição 53, escrevi uma matéria sobre a minha experiência de ser hospedado, em algumas cidades europeias, totalmente de graça.

Retorno para lhes contar como é o outro lado, receber estrangeiros em casa, mas também, e principalmente, pelo fato de ter hospedado Trevor Wright, um norte-americano que veio pedalando desde Colômbia.

Em novembro do ano passado, descobri a existência de um site que faz a intermediação de pessoas que querem hospedar e querem ser hospedadas, o couchsurfing (www.couchsurfing.org), presente em praticamente todos os cantos do mundo e que agora já tem 2 milhões de perfis.

Graças a ele, conheci vários países europeus e vários europeus propriamente ditos, com quem mantenho contato fraterno constante. Além disso, não gastei com hotéis nem albergues, já que fiquei na casas dessas pessoas especiais.

Retornando desse tour, quis retribuir de alguma maneira essa gentileza, e coloquei meu sofá a disposição no site. Floripa é a oitava cidade brasileira com mais sofás disponíveis (827 hoje) e está entre as quatro mais procuradas pelos assinantes do couchsurfing. Durante o verão, se deixar o seu sofá com o status “disponível” (yes), você recebe, em média, um pedido por dia. Além desse, podem-se escolher vários outros status: definitely (quando você está desesperadamente querendo hospedar), maybe (talvez), no (não), coffee or drink (não quer hospedar, só conhecer) e traveling at the moment (viajando).

Pois bem. Recebi, já em janeiro, dois chilenos, que ficaram três noites aqui em casa. Em fevereiro, no carnaval, um casal de israelenses, que ficou apenas duas noites.

Já em março resolvi hospedar por mais tempo, e tive o prazer de conviver por uma semana com o Roy, um filipino que cresceu no Canadá e que vive há sete anos no Hawaii.

O Roy sempre teve interesse em conhecer a cultura brasileira, e ouviu falar de Floripa como o “Hawaii brasileiro”. E ele teve a sorte de, ao chegar aqui, encarar um swell gigante. No primeiro dia, o levei para comprar uma prancha e, nos dias seguintes, fomos surfar em secret spots da Ilha: Lambe-Lambe, Ponta das Canas e Praia do Forte.

Com o Roy aconteceu uma coisa inusitada: na segunda noite, ele entrou em contato com uma couchsurfer, interessada em coffee or drink. Do meu telefone, ele combinava o encontro, e deu o meu endereço pra ela. Quão surpreso ficamos todos quando ela respondeu: “estou alguns andares abaixo de ti”. Ela era nossa vizinha do prédio, a Aline.

O Roy acabou ficando um mês em Floripa. Na despedida, juntamos na churrasqueira do meu prédio todos os seus anfitriões e amigos. Até hoje eu e a Aline recebemos revistas de surfe enviadas pelo Roy.
Bem, de abril a agosto, fizemos algumas reformas no apartamento, e deixei meu sofá indisponível. Terminadas as obras, o disponibilizei novamente e, já de cara, recebi um pedido, que transcrevo a seguir, litteris:

Rogerio,

Boas referências, surfista, fotos interessantes, quer hospedar. Beleza. Gostei do seu perfil e estou escrevendo a ver se puder oferecer um teto e boa companhia enquanto estiver em Floripa.

Bom, sou Trevor e estou viajando por América do Sul na minha bicicleta. Pode lir mais aqui se quiser:

http://www.mebobandsurly.wordpress.com.

Te escrevo desde Curitiba, mas planejo chegar a Floripa o 8 ou 9 de septembro. Não posso dizer com certeza a data exata da minha chegada porque nunca se sabe o que pode acontecer na bici. Pido que seja flexível se concordar me dar hospedagem.

Vou ficar quatro meses em Floripa para melhorar meu português, fazer amigos, tentar fazer surf e crear um equilíbrio entre fazer traduccioes por internet e viver cada dia como se for de férias. Ao chegar, estarei procurando um apartamento próprio (…) e espero encontrar dentro de uma semana. Quase não vou estar em sua casa durante o dia. Quantos dias máximos você pode me ofrecer? Ao mesmo tempo, te digo que respeitaria qualquer data de sair que me fala. Sempre posso me comunicar com outros couches também.

Que mais? (…). Se tiver telefone posso te mandar mensagens quando eu saiba mais sobre a minha chegada. É melhor assim porque não sempre tenho acesso ao internet em caminho.

Um abraço, espero a suas notícias.
Trevor

O fato dele ter escrito o pedido em português, assim como o Roy, já me chamou a atenção. Mas o impressionante mesmo nessa história é a saga que meu novo amigo está desenvolvendo.

Visitei o blog dele e logo descobri o motivo do nome do site (mebobandsurly): me (eu), Bob (o carrinho rebocado com barraca, saco de dormir, laptop, máquina fotográfica, roupas, etc) e Surly (a bike).

Dias depois, ele me confirmou a data de chegada, uma quinta-feira, dizendo que sairia de Blumenau cedinho, chegando fim de tarde. Eu e um amigo fizemos os cálculos e imaginamos que ele só chegaria à noite.

Para a minha surpresa, na quinta, exatamente às 17h29, recebi a seguinte mensagem: “Oi Rogerio, atravessé o ponte e vou para a sua casa. Estão aí?”

Meia hora depois, ele estava na frente da minha casa, puxando a casa dele e trazendo junto, desde a Beira-Mar, um rapaz chamado Pedro, que já pedalou de Floripa a Buenos Aires e que ficou maravilhado com o feito do Trevor.

Disse que saiu de Blumenau às 8h30 da manhã e, no caminho, ainda parou, não sabe dizer exatamente onde, mas acredito que entre Balneário Camboriú e Itapema, na Interpraias, num evento mundial de mountain bike. Vale dizer: ele percorreu 160 Km, a uma velocidade média de 20 Km/h. O detalhe que logo descobri é que ele percorreu toda a trajetória, desde Colômbia, sem GPS, portando apenas um reles computador de bordo.

Agora, onde deixar Bob e Surly? Perguntei para o zelador se havia vaga no bicicletário. Não. O zelador então falou que poderia deixar na vaga de uma moradora gente fina. Mas o Trevor percebeu que qualquer outro morador teria acesso à bike, e ficou receoso em deixar “a minha vida” assim. Ainda mais sem cadeado, pois o último havia descartado dias antes por não ter que carregar peso extra.
Fiquei impressionado com seu bom português. Com apenas 4 meses de Brasil, o cara entende 99% do que falamos.

Aos poucos fiquei sabendo de alguns detalhas da aventura. Há 15 meses na estrada, já percorreu 8.700 Km. Principais cidades que visitou de bike, depois de viajar pela ilha de Trinidad e Venezuela sem ela: Cartagena, Barranquilla e Bogotá (Colômbia), Quito e as Amazonas (Equador), Iquitos e Cuzco (Peru), La Paz e Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), Campo Grande, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Escolheu (e bem) Floripa para dar uma descansada. Ficará aqui provavelmente por 4 meses. Já abriu seu sofá aos viajantes que visitam (um australiano chega este mês) e receberá os pais em dezembro. Depois, ruma para Porto Alegre, passando por Montevidéu e finalizando a trip em Buenos Aires. Depois disso, ele não tem planos. Pode pegar um avião e se jogar pelo Oriente Médio ou Ásia, por exemplo, voltar para os EUA ou até mesmo para Floripa, quem sabe…

Trevor Richard Wright, 27 anos, nasceu no estado norte-americano de Dakota do Norte, cresceu em Nebraska e logo se mudou a Austin, Texas, onde trabalhava com estudantes de intercambio enquanto guardava dinheiro pela viagem na bike. Em Nebraska, se formou em Letras (Espanhol), Cultura Latino Americana e Negócios. Viveu por um tempo em Barcelona e se apaixonou pela cultura latina, resolvendo estudar dois anos da faculdade na Costa Rica e México. Logo, vendeu carro e casa e se jogou com tudo para a América Latina.

Nos cinco dias que ficou aqui em casa, eu o ajudei a procurar um lugar para ficar a temporada aqui em Floripa.

Suas primeiras impressões de Santa Catarina eram de surpresa, primeiro em Blumenau frente a cultura alemã bem preservada e depois na mesma Floripa com sua cultura surfista americana. “Este pais tem muitos países dentro dele, mas o mundo em geral crê que todo Brasil é como Rio de Janeiro,” falou, contemplando o Manguezal do Itacobubi desde o balcão do meu prédio. “Espero que a Copa do Mundo 2014 mude um pouco isso estereotipo.”

Durante a sua estada, me contou que encontrou mais que 15 europeus fazendo o mesmo tipo de aventura pela América Latina, mas também conheceu 2 norte-americanos, 4 canadenses, 4 brasileiros e uma família colombiana em vários países do continente. Disse que, no Peru, pegou neve nas montanas e, na Bolívia, dormiu na barraca numa temperatura baixo de 0°.

“Agora muitos coisas que antes só vi nas revistas me parecem normais,” Trevor relata. “Vivi com um shaman na selva equatoriana, foi convidado dormir em casas de terra com chãos de lodo onde as famílias falam em línguas indígenas, vi delfins rosas no rio Amazona, escutei estórias desde as pessoas mais pobres ate as mais ricas, e aprendi isto: em geral, as pessoas são boas, não tem porque andar com medo na vida. Sempre alguém te ajuda quando você precisa.”


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